quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Fatores que contribuem para as Dificuldades de Aprendizagem da Matemática



A suposição é que as causas das dificuldades de aprendizagem tenham bases biológicas, mas é o ambiente que fará com que essas dificuldades aumentem ou diminuam. Os fatores biológicos que contribuem para a ocorrência de uma dificuldade de aprendizagem podem ser divididos em quatro categorias:

  • Lesão Cerebral – nem sempre uma lesão cerebral é a base para que a criança tenha uma dificuldade de aprendizagem, mas algumas dificuldades podem surgir de uma lesão cerebral;
  • Alterações Desenvolvimentais – durante a gestação o sistema nervoso do novo indivíduo vai se desenvolvendo em etapas e esse desenvolvimento continua após o seu nascimento. Esse desenvolvimento é o que faz capaz de realizar tarefas que conforme o individuo vai crescendo se tornam mais complexas. Quando alguma etapa desse desenvolvimento é alterada, isso pode gerar uma dificuldade de aprendizagem.
  • Desequilíbrio Químicos– os neurotransmissores fazem a comunicação entre as células cerebrais. Qualquer alteração química pode fazer com que essa comunicação falhe. Esses desequilíbrios podem contribuir para alguns transtornos de aprendizagem, principalmente os que envolvem atenção, como o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e hipoatividade.
  • Hereditariedade – a hereditariedade também determina o desenvolvimento de dificuldade de aprendizagem. Segundo Smith e Strick (2001, p. 15), as dificuldades de aprendizagem levam as crianças a ter um comportamento que complicam mais essas dificuldades na escola, sendo eles: hiperatividade, fraco alcance de atenção, dificuldade para seguir instruções, imaturidade social, dificuldade com a conversação, inflexibilidade, fraco planejamento e habilidades organizacionais, distração, falta de destreza, falta de controle de impulsos. Esse comportamento se dá nas mesmas condições neurológicas das dificuldades de aprendizagem.

Efeitos das Dificuldades de Aprendizagem da Matemática


Os efeitos das dificuldades de aprendizagem da matemática geralmente são diversos e vão além da área acadêmica especifica, afetando áreas como a atenção, a impulsividade, a perseverança, a linguagem, a leitura e a escrita.

Área de dificuldade: Atenção seletiva

Amostra de condutas

  • Parece não conseguí-lo.

  • Distraí-se com estímulos irrelevantes.

  • Conexões e desconexões.

  • Fadiga-se facilmente quando tenta concentrar-se.

Área de dificuldade: Impulsividade

Amostra de Condutas

  • Buscas curtas.

  • Trabalha rápido demais e por isso, comete erros por descuidos.

  • Não usa estratégias de planejamento.

  • Frusta-se facilmente.

  • Ainda que se conceitualize bem, é impaciente com detalhes.

  • Cálculos imprecisos.

  • Desatenção ou omissão de símbolos.

Área de dificuldade: Perseveração

Amostra de condutas

  • Tem dificuldade em mudar de uma operação ou um passo para outro.

Área de dificuldade: Inconsistência

Amostra de condutas

  • Resolve os problemas em um dia, mas no outro não.

  • É capaz de grande esforço, quando motivado.

Área de dificuldade: Automatização

Amostra de conduta

  • Não examina o trabalho.

  • Não pode indicar as áreas de dificuldade.

  • Não revisa previamente as provas.

Área de dificuldade: Linguagem/Leitura

Amostra de conduta

  • Tem dificuldades na aquisição do vocabulário matemático. Confunde dividido por/dividido entre; centena/centésimos; MMC/MDC; 4 menos X/ 4 menos X; antes/depois; mais/menos.
  • A linguagem oral ou escrita se processa lentamente.
  • Não pode nomear ou descrever tópicos.
  • Tem dificuldade em decodificar símbolos matemáticos.

Área de dificuldade: Organização espacial

Amostra de conduta

  • Tem dificuldade na organização do trabalho ba página.

  • Não sabe sobre qual parte do problema centrar-se.

  • Tem dificuldades representando pontos.

  • Perde as coisas.

  • Tem dificuldades para organizar o caderno de anotações.

  • Tem pouco sentido de orientação.

Área de diculdade: Habilidades grafomotoras

Área de condutas

  • Formas pobres do números, das letras e dos ângulos.

  • Alinhamento dos números inapropriados.

  • Copia incorretamente.

  • Necessita de mais tempo para complentar um trabalho.

  • Não pode escutar enquanto escreve.

  • Trabalha mais corretamente no quadro-negro do que no papel.

  • Escreve letra de forma em vez de letra cursiva.

  • Produz trabalhos sujos, com rasura, em vez de apagar.

  • Tem ineficaz domínio do lápis.

  • Escreve com os olhos muito próximos ao papel.

Área de dificuldade: Memória

Amostra de condutas

  • Não memoriza a tabuada de multiplicar.

  • Apresenta ansiedade frente a testes.

  • Ausência do uso de estratégias para o armazenamento de informações.

  • Pode recordar apenas um ou dois passos de cada vez.

  • Parte números ou letras.

  • Inverte seqüência de números ou letras.

  • Tem dificuldade para recordar seqüências de algorítmos, estações e meses, etc.

Área de difilculdade: Orientação no tempo

Amostra de condutas

  • Tem dificuldades em trabalhar com as hora.

  • Esquece ordem das aulas.

  • Chega muito cedo ou muito tarde à aula.

  • Tem dificuldades em ler o relógio analógico.

Área de dificuldade: Auto-estima

Amostra de condutas

  • Acredita que nem o maior esforço irá levá-lo ao êxito.

  • Nega a dificuldade.

  • É muito sensível a críticas.

  • Opõe-se ou rechaça ajuda.

Área de dificuldade:Habilidades sociais

Amostra de condutas

  • Não capta os códigos sociais.

  • É amplamente dependente.

  • Não adapta a conversação de acordo com a situação ou com audiência.
Texto extraido do livro: Manual de Dificuldades de Aprendizagem - Jesus Nicasio Garcia - Ed. Artmed. pg: 224 e 225.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Os subtipos de discalculia


Segundo Garcia (1998, p. 213) a discalculia é classificada em seis subtipos, podendo ocorrer em combinações diferentes e com outros transtornos de aprendizagem:

  • Discalculia Verbal - dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.
  • Discalculia Practognóstica - dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente.
  • Discalculia Léxica - Dificuldades na leitura de simbolos matemáticos.
  • Discalculia Gráfica - Dificuldades na escrita de símbolos matemáticos.
  • Discalculia Ideognóstica – Dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.
  • Discalculia Operacional - Dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.
Texto extraído do Manual de Dificuldades de Aprendizagem - Jesus Nicasio Garcia - Ed. Artmed

domingo, 7 de outubro de 2007

Discalcúlicos Famosos

Quem disse que o discalcúlico não é uma pessoa capaz? Aqui temos alguns exemplos de pessoas com discaculia e que trouxeram para o mundo contribuições fantásticas.
Benjamin Franklin: Inventor do pára-raios, aquecedor de Franklin e das lentes bifocais. Ele também deixou a escola aos 12 anos de idade, pois "falhava" em matemática. Ele é o "homem na nota de 100 dólares"

Thomas Edison: Entre suas contribuições estão: lâmpada elétrica incandescente, o gramofone, o ditafone, o microfone entre outros. Ele saiu da escola aos 12 anos de idade, pois se achava "estupido".

Hans Christian Andersen: Escritor dinamarquês de clássicos da literatura infantil, tais como, O Patinho Feio, Os Sapatinhos Vermelhos, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, dentre outros. Graduado na High School aos 23 anos de idade.
Albert Eisntein: Propôs a Teoria da Relatividade e foi ganhador do Prêmio Nobel da Física de 1921.
Cher: Atriz, cantora e produtora americana.

Mary Tyler Moore: Atriz e comediante americana.

Os sinais da discalculia.


Os sinais da discalculia podem começar quando a criança inicia sua vida escolar na pré-escola.Outras criança começam a apresentar dificuldades um pouco mais tarde.Mas como podemos reconhecer discalculia no dia-a-dia da criança ou do adulto? Para determinar se uma criança ou adulto tem discalculia é necessária uma avaliação rigorosa de um psicologo ou médico. Depois de diagnosticada a dificuldade, a ajuda de um psicopedagogo é muito importante.A lista de dificuldades exposta abaixo, não deve ser considerada como completa, mas mostra os exemplos mais comuns de dificuldades especificas da matemática que caracterizam a discalculia. Porém, se uma pessoa manifesta a maioria dos problemas relacionados na listagem, isso indica que a pessoa apresenta dificuldades gerais em matemática , e não, discalculia.


Dificuldades com leitura e compreensão

  • Confusão com o aspecto parecido dos números, 6 e 9 ou 3 e 8.
  • Falta de habilidade para compreender os espaços entre os números como por exemplo: 5 69 é lido como quinhentos e sesseta e nove.
  • Dificuldades no reconhecimento, e portanto, no uso dos símbolos para calcular: mais, menos, multiplicação e divisão.
  • Dificuldades na leitura de numeros com mais de um dígito. Números com zero podem especialmente dificultar. Exemplo: 4002 ou 304.
  • Confusão na leitura da direção dos números: o 12 pode se tornar 21. Não é usual para algumas crianças mudarem a direção de alguns números que são lidos precisamente, da esquerda para direita, enquanto outras lêem de trás para frente.
  • Problemas com leitura de mapas, diagramas e tabuada.
  • Dificuldades com a escrita números e símbolos, com freqüência os números são revertidos.
  • Problemas com cópias de números, cálculos e ilustração de figuras geométricas.
  • Problemas em lembrar números, cálculos e memorizar a forma das figuras geométricas.
  • Dificuldades de lembrar como os números e as operações são escritas. Nesse caso, pode ser mais fácil para o aluno escrever os números com letras.
  • Dificuldades de lembrar como os símbolos matemáticas são escritos.
  • Dificuldades na escritas de números com mais de um dígito. O zero pode não aparecer na hora da escrita, por exemplo: mil cento e sete pode ser escrito 107; dezessete pode ser escrito como 71 ou ainda, quatro mil quinhentos e trinta e cinco ser escrito em quatro diferente números(o número pode ser dividdo em partes): 4000, 5000, 30, 5.

Dificuldades em entender conceitos e símbolos

  • Dificuldades em entender os símbolos matemáticos e dificuldade em lembrar como deve ser usado, por exemplo, o sinal de menos.
  • Problemas com o entendimento de conceitos de peso, espaço, direção e tempo.
  • Problemas para entender perguntas orais ou escritas que são apresentadas com palavras, texto ou figuras.
  • Problemas para enteder conceito de soma, onde números são usados em conjunto com unidades como, por exemplo, 100 metros. O problemas também podem ser no entendimento dos números ordinais, pois não entendem a seqüência, primeiro, segundo terceiro, etc.
  • Problemas em entender as relações entre as unidades.
  • Problemas na aplicação prática da matemática, por exemplo: A distância da casa de Ana até a escola é de 1 km. Maria mora duas vezes mais longe. Qual a distancia que Maria tem que percorrer para chegar à escola?

Problemas com a seqüência dos números e fatos matemáticos

  • Dificuldades em entender a posição dos números, maior ou menor. Exemplo: 16 vem antes ou depois de 17.
  • Problemas com a seqüência dos números, a criança não entende automaticamente que 74 é 5 unidades a mais que 69, ou é incapaz de saber o lugar dos números 8 ou 27 na série numérica. Essas crianças tem que contar nos dedos para fazer um cálculo básico. Não conseguem memorizar a tabuada de multiplicação.
  • Dificuldades em fazer cálculos mentais, devido a problemas de memória que faz com que o aluno perca números importantes usados na no cálculo.Problemas com contagem de trás para frente.Levam muito tempo para resolver tarefas simples.
  • Problemas com pensamentos complexos.
    Dificuldades de escrever um pensamento, mostrando falta de habilidade para demostrar a estratégia na resolução de problemas ou como as estratégias podem se mudadas.
  • Problemas em compreender os diferentes de passos em uma tarefa matemática.
  • Dificuldades em abstrair dados em uma tarefa matemática e como proceder para resolvê-la.

Outras dificuldades

  • Dificuldades com conceitos semelhantes de passado e futuro.
  • Dificuldades em avaliar tarefas ou atividades que devem ser cumpridas.
  • Fraca orientação espacial ou habilidades de resolver problemas espacias, mostrando ter limitado senso de direção ou tendo dificuldades de se ajustar a novos ambientes. Exemplo: Um novo trajeto para se chegar a escola.
  • Variações de atenção e dificuldades de concentração.
  • Memória limitada para nomes e rostos.Dificuldades em administrar dinheiro.
  • Dificuldades em ler as horas.
  • Dificuldades em processar informações apresentadas rapidamente e também distinguir o que é importante.
  • Dificuldades com jogos que envolvam estratégia. Exemplo: xadrez.

O caso de Lisa.
Lisa não tem dificuldades com a matemática básica. Ela é muito boa em multiplicação e divisão. Apesar disso, contudo, ela tem dificuldades com a resolução de problemas matemáticos escritos. Ela frequentemente os erra. Em um exame geral de habilidade na leitura e compreensão ela mostrou que tem uma performance regular em ambos, lendo e escrevendo. Uma análise mais profunda em seu problema mostra claramente que ela tem dificuldades com a identificação de fatos básico no texto. Ela simplesmente não vê claramente que os números são relevantes para a tarefa matemática. Ela não sabe qual é o tipo de operação deve ser feita. Se é adição ou subtração.
O que aparenta é que a principal dificuldade de Lisa é com o planejamento, e que ela precisa de ajuda para encontrar boas estratégias para guiar as tarefas matemáticas. Eal precisa praticar um plano para resolver as tarefas matemáticas passo-a-passo em uma seqüência contínua.
Um professor ou uma pessoa que não tiver conhecimento da discalculia, com certeza achará que essas dificuldades com a escrita das tarefas matemáticas podem que ser sanadas com exercícios para melhorar a leitura. Contudo, uma análise mais profunda, mostra que a dificuldade dela não está totalmente relacionada com problemas primários de leitura e isso demanda uma abordagem diferente na forma em como esses exercícios serão dados.
Texto traduzido do livro: What is dyscalculia? Dr B. Adler, 2001, pg 14 - 17.

O que é discalculia?

Conforme Araujo (2006, [s.p]) “A palavra discalculia vem do grego (dis, mal) e do latin (calculare, contar) formando: contando mal. Essa palavra por calculare vem, por sua vez, de cálculo, que significa o seixo ou um dos contadores em um ábaco”.
A discalculia é um distúrbio que dificulta a aprendizagem, pois impede que o indivíduo compreenda os processos matemáticos, mesmo que ela tenha um QI normal ou acima do normal.
De acordo com Belleboni (apud: GARCIA, 1998), a discalculia é uma dificuldade de aprendizagem evolutiva, que não causa lesão e que não é causada por nenhuma deficiência mental, défictis auditivos e nem pela má escolarização.
As crianças que apresentam esse tipo de dificuldade realmente não conseguem entender o que está sendo pedido nos problemas propostos pela professora. Não conseguem descobrir a operação pedida no problema: somar, diminuir, multiplicar ou dividir. Além disso, é muito difícil para elas entenderem as relações de quantidade, ordem, espaço, distância e tamanho. E isso algumas vezes é entendido pelos pais e professores como preguiça.
A criança não se interessa pela atividade pelo simples fato de não compreendê-la. “A discalculia apresenta-se como uma imaturidade das funções neurológicas ou uma disfunção sem lesão.” (BOMBONATTO, 2006, [s.p])



quinta-feira, 19 de abril de 2007

Discalculia em foco.